Vou partir...
Andando ao som de um piano sem teclas,
Tocado pelo vento que me empurra por entre um bailado de Do's e La's...
Sei que não posso ficar mais!
Vou... não sei com quem porque não o consigo ver,
Mas sinto o seu respirar bater-me nas costas,
Tem um respirar frio,
Que a pouco e pouco parece que me congela e liberta de mim.
Não sei para onde vou...
De pés descalços,
Sinto as pedras frias e oiço a trovoada que se aproxima...
E como que por presságio de morte,
Oiço também um assassínio de corvos que trazem o cheiro a sangue.
Vou partir...
Partir sem ter sido o que quis ser,
Sem fazer o que queria fazer,
Como passear desde o pôr até ao nascer do sol por uma praia com quem não existe.
Fui um fruto amargo de uma árvore doce.
Não fui céu nem lhe toquei...
Pequei... e gostei! confesso!... gostei...!
Não fiz o que muitas vezes quis...
Mas vou partir!
Talvez um dia volte e seja quem nunca fui!
Faça o que sempre quis...e seja mais louca,
Mais ousada, seja uma outra pessoa, sendo eu mesma!
Vou...vou porque sei que não posso ficar!
Nem sei se queria ficar...
Gosto de gente de ri...de gente que ama...
Mas para onde vou haverá certamente!
A chuva começou a cair...
Os relâmpagos acendiam o chão apagado de Outono.
E eu já n sentiam o chão,
Tinhas asas negras...
Penas lisas e brilhantes ao mesmo tempo que baças!
Era um corvo...
E por entre as minhas asas saia um pequeno bilhete escrito a sangue de uma presa qualquer...
"libertaste-me de mim, deixaste-me longe de ti,
Mas onde quer que seja, que na escuridão da noite ouvires um corvo negro....
Eu lá estarei! Lá estarei, grasnando-te que te amo e sempre amarei"
E fui...
Parti...
Hoje sou o anjo em forma de corvo que estará sempre a olhar para ti!
31 de Janeiro de 2007
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